Poesias

Pegadas nas ruas de Maués
Por:
Sílvio Dinelly Esteves
Nas ruas de Maués tem pegadas do Tiduca
De seu Maximino,
Do Iduino e do seu irmão Tino

Nas ruas de Maués
Tem pegadas da lua
Que me mostram a tua

Milhares de pegadas de curumins
Correndo para as praias
Retornando para suas casas com fome e cansaço feliz pra comer e dormir
Com os olhos avermelhados pelos rastros molhados dos peixes
Pele tuíra de cauixi

Nas ruas de Maués espio
Pegadas do velho Santana, estivador.
Protásio, assobiou bem aqui.
Por aqui discursou Paquinha
Tia Sinhá pegadeou até à igrejinha

Visitou dona Licelena, mãe do Clóvis.
Portugueses, judeus, italianos...
Pisaram nessas ruas
Onde a pegada da lua flutua

Esta, na calçada do mercado, é a pegada do seu Rodão
Esta outra do Zecote onde reinstalou a voz serenata
Olha já, marcas de pneus da Monark vermelha do seu Aguiar. Com seu inseparável cavaquinho.
Misturados rastros com os da moto honda do Paladino.

Esta pegada profunda é da dona Jovita com sua enorme bacia de madeira vendendo verduras com seus netinhos para a professora Celeste, a quem primeiro dizia:
"Olha como é bonita, igual a Mãe...
_Dona Celeste, a senhora me vê assim, preta, feia, mas as minhas Filhas... São todas brancas dos olhos gatiados..."

Até que enfim, pegadas do professor Jardim, teremos aula com alegria...
Desafios na escola ou na praia Ponta da Maresia.

E sem nenhum problema,
Achamos as pegadas do Nipema. Onde vendia um delicioso sanduiche com um copo de suco, na beira da ribanceira, bem debaixo da mangueira com muitas informações atualizadas aos seus clientes...

Agora, se bem percebo
Passou por aqui dona Maria Macedo

Êpa! Em frente da Maloca e do Giripoca
Marcas de tumulto e pauladas
Brigou por aqui os pacuzadas.

Quantas pegadas, meu Deus!
Nesta pequena, grande cidade
Povoada por inesquecíveis pessoas
Amadas, engraçadas, felizes como eu.

Localizamos as pegadas da Teodora, ama do seu Argemiro, indo ao banco real
Receber sua aposentadoria
Dico Dinelly também, com pegadas paralelas de uma criança que o conduzia.

E na porta de entrada do banco da Amazônia me encantei com dona Aristó
Que num vestido só abanava a quentura que abrasava suas partes íntimas

Embora o tempo curto para cada um de nós
Em Maués as pegadas não somem.
No silêncio da noite não dormem
E no iluminado dia tagarelam
De alegria com as novas pisadelas
Dos seus descendentes.
As ruas têm memória, farelo de pele, chulé com arquitetura dos pés.

Que onda,
Na praia muitas pegadas do Cironda!
Do Zecão e Aneil
Do Miele vendendo funil
E essas célebres pegadas
Acabam no rio
Para continuarem caminhando até o mar.